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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Desgostando



Não gosto do gosto desse (des)gosto de mim!


Parto da premissa que não era para ser assim....



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Dois passos para atrás


Senti vibrar meu corpo na palma da mão.

Vibrou minha alma....

Vibrou meu coração....

Desnudei meus sentimentos enquanto andava pra trás.

Dois a três passos apenas.... Recuar é bom para observar melhor.....


Você se sentou na minha sala e falou por horas....

Gosto das suas surpresas enfiadas em desculpas esfarrapadas para me ver.

Dois passos para frente e dessa vez você não me deu um suspiro. Você roubou um beijo!
Quero um café..... e hoje voltei a fumar um cigarro.

Rafael tinha nome de anjo, mas no fundo me tentava feito um demônio!


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Rouxinol



Não sei de onde veio aquela caixa, mas eu a encontrei aos pés do meu portão.
Era uma caixa grande e alta, envolta em um belo papel lílas com muitos furos,
e um grande laçarote cor-de -rosa.


Rosa é a minha cor favorita, acho que desde os meus 10 anos de idade.
Independente do remetente da caixa, a pessoa devia me conhecer para saber que o laço de qualquuer presente para mim, impreterivelmente deve ser rosa.
Corri para dentro de casa e abri a caixa rapidamente, 
dentro dela havia uma bela gaiola dourada com um belíssimo exemplar de um rouxinol azul.
Quem aprisionou o rouxinol? Como aquela gaiola foi trazida até mim....


Dentro da gaiola havia um pequeno bilhete que dizia: -Se você chorar vou embora.


Por horas pensei o que fazer com o pássaro, mas como já tenho um canário belga (Sr. Antero de Olviedo) achei que não faria mal cuidar de mais um pássaro.
Durante dias a fio o rouxinol não se movia, não comia a não cantava.
Bicho estranho! -Pensei, deve estar infeliz na gaiola.


Procurei veterinários, especialistas, enciclopédias.... nada
Nada fazia o rouxinol cantar.


Numa tarde, após um dia muito cansativo sentei-me na varanda e fitei o céu
Minha mente carregava o peso das nuvens que antecipavam a chuva
E o coração tinha o vazio das horas mortas.


De repente um belo canto começou a ecoar do fundo da gaiola dourada....
era ele, o rouxinol......
Cantava tão suave que parecia mais um anjo....
A vibração de seu canto tocou a minha alma de forma tão plena que começei a chorar......


Entrei correndo para chamar alguém para ver que o bico cantava.... e quando voltei para a varanda para filmar o feito do passaro..... a gaiola estava vazia.... 


Lembrei-me do bilhete e fiquei pensativa. 
Maldito presente!!!!!



domingo, 21 de agosto de 2011

Dona Felicidade




E a Dona Felicidade resolveu me visitar, mas ela estava fantasiada de Gato de Cheshire!


Danada! Tomou do meu chá, comeu do meu biscoito e fingiu que era o raio do gato.


Sorte dela que gosto de gatos..... e sou louca pelo gato de Cheshire.


Ela deitou na minha cama, ronronou no meu ouvido e ainda me deu um beijo.


De manhã, foi-se embora novamente.


Felicidade não se prende.... aprende menina! Felicidade se sente! Se sente!!!!!


(Ps: Em setembro vou tatuar o gato de cheshire no meu corpo... quem sabe a Dona Felicidade não vem me visitar novamente) 







Madrugada



Não se preocupe, já é tarde.
Estou em casa e chove lá fora.


Deixe que o vento varra para longe o que não dissemos.
E que a chuva apague o que eu sinto.
Quero que o fogo lamba todo o sentimento, e que não reste mais nada no meu coração.


Sinto dor e quero falar.
Vou fechar a porta.
Ignorar a tua voz.
Não vou mais deixar você entrar.


É amargo o gosto do teu não gostar.
É triste este sentimento que você mente. 
Não diga mais que você me quer.
Não vale fingir o que não se sente.  

terça-feira, 16 de agosto de 2011

No ovo da Ema brotou uma estrela (Dedicado a Marcos Alves Lopes)



Era um astrônomo que buscava as desvendar as estrelas no interior dos homens.
Estrelas confusas, de cores difusas e brilhos secretos.
Cientista que colocava dentro de um microscópio as miudezas da natureza humana.
De dentro para fora ou de fora para dentro? Não importa. É pé na porta. E porta é para ser aberta.  
Tinha o dom da oratória e do paradoxo metafórico.
Era inspiração inspirada.
Mestre observador dos lances viscerais no tabuleiro da vida.
Literatura atrevida, psicanálise (re)inventada, poesia, proesia, poema.....
E a Ema? Que ema?
Não precisa de rima. Marcos é literatura feita de baixo para cima, ou será de cima para baixo?
Veio de ouro no lodo da terra, mas não é poeta ou escritor. É inventor!

sábado, 13 de agosto de 2011

Noite vadia





Quero ser lágrima que nasce nos teus olhos, percorre a tua face e morre na tua boca.
Quero ser o gemido do teu corpo ao penetrar o meu.
Quero ser a fome que te consome ao me ver partir.
E a dor que te desola por não poder dizer que é só meu.


Sou o sussurro dos teus sonhos a me pedir para ficar.


Não quero o amor morno dos lençóis embaraçados
quero a fugacidade do desejo ( não dito, mas profetizado)
dois corpos num anel de fluxos- fluidos e gemidos
quero, antes, o fim do dia
num crepúsculo que anuncia
mais uma noite vadia!




Produção coletiva: Eu e Marcos Alves Lopes


Marcos, você é o mestre! 

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Allegro non molto






(Inspiração: Primavera- Allegro " As quatro estações"- Vivaldi)


Em Veneza nós vivemos juntos todas as quatro estações daquele ano.

Em meu corpo ele compôs Primavera.

Desenhou em meu colo a verão.

Dentro de mim ele fez o Outono Allegro.

Nos abraçamos forte por todo o Adagio Inverno.

Vivaldi me pediu um beijo, e eu dei.... ele me deu em troca toda uma sinfonia.


 








sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Cansado de chuva



José deitava na grama verde e olhava para o céu.....
Gostava de pintar com os dedos sorrisos nas nuvens.
Temia que elas ficassem tristes e começasse a chover....

José ria enquanto pensava: -Tô cansado de chuva.... hoje eu quero ver o sol!  

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Palíndromo



Davi conhecia o meu coração como ninguém mais poderia conhecer.
Era dele toda a minha essência, meus suspiros e olhares perdidos no azul infinito do amanhacer.
Por vezes, deixei me enrolar na rede de alguns pescadores.... alguns gentis e sinceros, outros sombrios e melancólicos...


Pedro me olhava como quem esperasse uma resposta,
alguma esperança, algo que o fizesse ficar.
Pedro apertava meus lábios contra os dele, e seus olhos me consumiam com sua paixão
Eram dele alguns inquietantes pensamentos,
mas eu não podia lhe dar o que já não era mais meu. 


João me abraçava forte como quem tem o medo da perda; 
Queria conversar comigo sobre seus sonhos,
queria que eu lhe acalmasse as noites mal-dormidas.
Eram dele algumas doces canções,
mas eu nuca pude lhe falar de amor, quando por ele não o sentia.


Rafael me observava como uma mariposa encantada pelas chamas de uma vela.
Tentava se aproximar e se afastava,
por vezes quis me tocar e fugia.
Erámos como ímãs que se desejavam e se repeliam.
Eram deles alguns inconstantes desejos , 
mas eu não podia sonhar com castelos, quando já estava aprisionada.


As redes passavam por mim e eu entre elas.... alguns pescadores buscavam sonhos, outros entrelaçavam ilusões, mas na calmaria do mar, em suas profundas ondas, eu escondi o mais precioso de todos... aquele que era a minha VI-DA, aquele que era o meu DA-VI.