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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pique- esconde





E é justamente por eu nunca me encontrar....
que eu gosto de me ver perdida dentro dos teus olhos,
e dos sussurros do que eu nunca te digo.





terça-feira, 28 de junho de 2011

Não acredito em fábulas




Uma moeda pelos seus pensamentos;
"O meu reino por um cavalo";
"Ao vencedor as batatas";
Duas moedas para pagar o Caronte;
Um beijo para quebrar o encanto;
Um abraço para mostrar carinho;
Trevo de sete folhas para dar sorte;
Um bússola para encontrar o sul e o norte;
Adeus para o que não se quer mais;
Bandeira branca para um tratado de paz; 
Fábulas só servem para ninar;
Mas, uma vida inteira é para errar, tropeçar, cair e levantar.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Pocura-se um novo coração



Dirigiu-se ainda sem esperanças para a loja, era a última tentativa para aplacar a dor que carregava em peito aberto.

Entrou com os olhos ainda cheios de lágrimas e perguntou ao balconista:

-Boa tarde. Vim buscar a minha encomenda. Está pronta?

- O balconista gentilmente pediu-lhe o nome e o número do pedido.

-Ela ainda secando as lágrimas dos olhos tirou do bolso um papel amarrotado com seu nome e o número do pedido, em seguida entregando o papel ao balconista.

Após procurar pelos dados num pequeno caderno preto, o balconista respondeu:

-Senhorita Letícia. Sim, está pronto, espere um segundo vou buscar.

Passaram-se alguns minutos e veio o balconista com um embrulho na mão.

-Aqui está senhorita Letícia, um coração novinho em folha. Disse o balconista em tom alegre e cortês

- Não foi isso que eu pedi. Deve haver algum engano. Retrucou

- Sim, aqui está no pedido do caderno. Senhorita Letícia, pedido 265432 um coração novinho em folha. Respondeu o balconista

-Mas.... mas.... mas, eu não quero um coração novinho em folha. Eu encomendei um coração que não pudesse amar. Respondeu a jovem moça com palavras vacilantes.

-Senhorita, não vendemos corações que não saibam amar, e sim novos corações. Mas, se quiser posso olhar no estoque se acho alguma mercadoria com defeito. Se quiser pode levar um coração partido. Falou o balconista desesperançoso.

-Não, obrigada. Eu já tenho um coração partido. Quero um que não saiba amar. Falou-lhe a moça com os olhos cheios de lágrimas novamente.

-Lamento, não podemos lhe ajudar. Disse o balconista em tom indiferente.

Saiu da loja novamente infeliz..... pobre Letícia. Aquela cujo nome significava felicidade escondia por trás dos sorrisos melancólicos a tristeza irreparável e profunda de um coração partido, que só sabia dar amor àqueles que não sabiam lhe amar.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Um cômodo chamado Desejo




As roupas caídas pelo chão eram os indícios do final da discussão.

Perto da cama duas taças de vinho e uma garrafa pela metade.
No cinzeiro alguns cigarros contavam a história de algumas horas já vividas.

Dois amantes se entreolhavam em cima de uma cama enrolados em seus próprios corpos nús.

Não falavam nada, estavam magnetizados, hipnotizados entregues ao momento.

Lá fora a chuva forte que caía, dissipava os sons ensurecedores da cidade.
O único som do cômodo eram os dois corações que batiam completamente descompassados, acelerados .... perdidos.

Ninguém ganhou a briga.
Ninguém pediu desculpas.
Não havia espaço para palavras em um comodo repleto de desejos.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Sem freio




Posso ficar a tarde inteira aqui sorrindo,
enquanto você tenta descobrir o que se passa em minha mente.


Pra que tanto esforço para ter o que está ao alcance dos dedos?

Por que tanto medo de sentir algo tão excitante?

Posso ficar aqui a noite toda te olhando,
enquanto você tenta descobrir o que se passa em minha mente.

Pára de pensar demais e acelera o carro!
Gosto quando você me assusta e se pergunta se eu estou gostando.

Hoje, nós não vamos pisar no freio..... hoje você não vai se perguntar o que se passa em minha mente.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A dança das chamas

Fiquei hipnotizada com a dança das chamas.
Elas lambiam tudo lentamente.
Subiam as paredes, dançavam entre os móveis e consumiam tudo.
Deliciosamente quentes e magnéticas.

A fumaça logo começou a se espalhar.
Com ela vieram os primeiros gritos de socorro dos esqueletos que se escondiam no armário e das memórias que queimavam desesperadas.
Sentei-me no meio do incêndio para me deleitar com a imagem enquanto fumava um cigarro.
Gosto de fogo.... simplesmente adoro incêndios.

terça-feira, 14 de junho de 2011

E no meio das dunas o sol se perdeu




E ele deixou para trás somente a poeira.
Um emaranhado de grãos amorfos que guardavam a lembrança do que não foi.
Partiu sem despedidas,
Sem lágrimas ou apertos de mão.
Levou consigo as delícias cultivadas na troca dos frutíferos pensamentos.
Não deixou nada para trás.

O vazio e a devastação eram unicamente dela.
Ela que caminhava no agreste das emoções violentadas pelo silêncio.
Lembrou-se da primeira vez que se viram.
De como se sentiu ao compartilhar o calor e a luz do sol que brotava de seu coração no céu da sua boca.

- Se o sol que nasce no céu da minha boca se perder nas dunas do teu pensamento, mande-o de volta para mim.  (Era o que ela dizia)

Mas, ele partiu levando o sol, o calor e o brilho. Ele partiu sem olhar para trás, e não mandou de volta o sol. Não mandou de volta o sol. 

(Inspiração: Anna Sun - Walk the moon) 

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Esconderijo



Tinha gosto doce de baunilha, cravo e canela,
e o cheiro do sal que vinha das ondas do mar.
Tinha o brilho e a ternura das estrelas que enfeitam o céu,
e a essência das coisas mágicas que brotam da imaginação.

Era belo e singelo,
mas, humilde como são os grãos de areia que compõem uma duna.
Era frio e quente ao toque,
era fraco, mas também era forte.
Era o paradoxo que se escondia por baixo do véu que cobria os meus olhos.

Se aproximou, tirou o cabelo que cobria as lágrimas que eu escondia em meus olhos.
Segurou a minha mão e sussurrou ao meu ouvido:
-Eu te observo, menina. Eu sempre te observo.
Levantou-se, beijou a minha testa com sua voz angelical e sumiu.
Sumiu dentro dos meus pensamentos, era lá onde ele morava, era lá onde eu o escondia.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Cansada!



Quero trancar as portas,
Fechar as cortinas,
Apagar as luzes,
E me enrolar feito gongolo no meu pedaço de mundo.

Não quero ouvir os sons da cidade,
Nem ser tomada pela ansiedade daqueles que vivem a vida no modo automático.
Não quero respirar o ar compartilhado,
No espaço fragmentado e ocupado pelos corpos que se arrastam no mundo.

Não posso ser o que não sou.
Não vou para onde não quero.
Não vou dizer que espero.
Nem vou dizer que sim.
  
Hoje eu quero mais silêncio,
Quero mais espaço, estou tomada pelo cansaço!
Quero mais ar.
E quero tudo só para mim.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O que estava lá....



Não sei dizer o que estava lá.
Se era sombra porque não vi a luz?
Se era luz de onde veio?

Não sei por que estava lá,
Veio a convite, ou chegou mansinho?
Era só meu ou de mais alguém?

Não sei como explicar.
Não tinha legenda ou determinação.
Era real ou imaginação?

Não sei por onde começar.
Se não tem início, terá um fim?
Será pois eterno, eterno enfim?

Não sei o que era ou para onde ia.
Pura incerteza e determinação.
Não seria nada,  ou tudo seria então?